CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS E AROMÁTICAS NO PROGRAMA MULHERES MIL: SUSTENTABILIDADE, CAPACITAÇÃO E INCLUSÃO SOCIAL
Palavras-chave:
práticas agroecológicas, conhecimento tradicional, educação profissional, empoderamento femininoResumo
O Estado do Paraná é um dos maiores produtores de plantas medicinais e aromáticas do Brasil, destacando-se no cultivo de espécies como, por exemplo, a camomila e hortelã. Essas plantas são amplamente utilizadas em diversos segmentos do mercado como a produção de medicamentos fitoterápicos, aromaterapia, condimentos, fitocosméticos, chás aromatizados, dentre outros. Na região de União da Vitória-PR, estudos anteriores indicaram que a produção doméstica dessas plantas para consumo familiar é uma prática comum, especialmente entre as mulheres. No entanto, há uma carência de iniciativas que colaborem para a produção em escala comercial. Estas lacunas motivaram o Instituto Federal do Paraná (IFPR) - Câmpus União da Vitória a fornecer um curso de formação inicial e continuada nesta temática, no âmbito do “Programa Mulheres Mil”, que oferece formação profissional e tecnológica para mulheres em situação de vulnerabilidade social. O objetivo deste trabalho é relatar as experiências de ensino e extensão realizadas por equipe vinculada à execução e suporte às atividades do curso. O curso foi estruturado em dois núcleos principais: um de formação básica, abordando temas como saúde e direitos da mulher, empreendedorismo, cooperativismo e economia solidária; e outro profissionalizante, focado na produção de plantas medicinais e aromáticas. As participantes aprenderam sobre as diferentes etapas do cultivo, com ênfase na produção agroecológica e em pequenos espaços. O curso também envolveu ensinamentos sobre a produção de derivados, como produtos de higiene pessoal, artesanatos e alimentos. Durante todas estas etapas, as alunas do programa e equipe de professores tiveram a assistência de apoio pedagógico, bem como de alunas monitoras, sendo estas discentes do curso de Agronomia, na condição de voluntárias. As abordagens didáticas contemplaram, como exemplos, rodas de discussão, oficinas práticas, demonstração de plantas e de métodos de produção, oficinas de identificação das espécies, produção de mudas, preparo de recipientes, cultivo e produção em pequenos espaços e práticas de manejo. Dentre as ações, também foi realizada uma feira para troca de mudas entre as alunas, bem como implementada uma unidade de produção de plantas medicinais e aromáticas no campo. Durante todas as etapas, foi dado ênfase à valorização dos saberes populares e das experiências de vida das alunas. Conclui-se que a experiência obtida com o curso foi um espaço enriquecedor de ensino, troca de saberes e de interação com a comunidade externa, notavelmente mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica. De posse dos novos conhecimentos obtidos devido a interação em grupo, as alunas poderão reproduzir essas experiências de forma autônoma em suas residências e comunidades, consolidando a vocação regional na produção de plantas medicinais e aromáticas.
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