Turismo cultural e narrativas decoloniais
apontamentos a partir da igreja nossa senhora do rosário dos homens pretos (São Paulo/SP)
Resumo
O presente artigo analisa a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos – São Paulo/SP, privilegiando as questões que envolvem os conceitos de Turismo Cultural e de Narrativas Decoloniais. Entende-se a referida igreja como um sítio de patrimônio cultural e para tanto, discutimos acerca da presença e/ou ausência de sujeitos não-brancos nas narrativas expositivas, neste caso na estatuária sacra. A irmandade mantenedora da Igreja foi criada no século XVIII para socialização, acolhimento e oferecer culto religioso aos negros escravizados. A Igreja analisada situa-se no Largo do Paissandu, erigida no início do século XIX. Trata-se, neste estudo, de mobilizar a narrativa expositiva das peças que encontram-se na sede do largo do Paissandu, propondo sua apropriação pelo Turismo Cultural, visando contribuir para a construção de práticas turísticas que atentem para espaços de memória que legitimem o lugar de africanos e afro-brasileiros nas narrativas expositivas de sítios de patrimônio histórico e cultural brasileiros. Por fim, entendemos que os sítios patrimoniais, assim como os museus são instituições a serviço da sociedade e possuem uma função social tanto para a comunidade na qual se inserem quanto para aqueles e aquelas que a visitam.