Arqueologia Sustentável: Educação, Ciência e Meio Ambiente

Autores

  • Elton Laurindo da Costa Secretaria Municipal de Educação de Itajaí
  • Daruã Valente Secretaria Municipal de Educação de Itajaí
  • Thamiris dos Santos Secretaria Municipal de Educação de Itajaí

Palavras-chave:

Arqueologia; Ciência; Educação Básica; Interdisciplinaridade; Meio Ambiente

Resumo

O projeto Arqueologia Sustentável, desenvolvido em 2025 na Escola de Educação Básica Municipal Professora Maria José Hülse Peixoto, em Itajaí (SC), constitui uma proposta pedagógica que integra História, Geografia e Ciências, com o objetivo de promover o letramento científico, a consciência socioambiental e a valorização do patrimônio cultural e ambiental. A iniciativa baseia-se na criação de um sítio arqueológico didático no espaço escolar, permitindo que estudantes do ensino fundamental assumam o papel de pesquisadores e vivenciem práticas inspiradas nos métodos científicos da arqueologia e das ciências naturais, desenvolvendo habilidades de observação, registro, análise e comunicação. O objetivo central é favorecer a compreensão das diferentes formas de ocupação humana, das interações ecológicas e dos processos históricos e ambientais, estimulando o senso de identidade, pertencimento e responsabilidade socioambiental. As atividades foram organizadas em etapas interdisciplinares articuladas. Em História, a proposta iniciou-se com a introdução às fontes e ao papel do arqueólogo, seguida da realização de uma exposição didática com materiais do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC, que proporcionou contato direto com representações de arte rupestre, cerâmica indígena e sambaquis. A etapa mais marcante foi a escavação simulada, em que os alunos atuaram como arqueólogos em área preparada com camadas estratigráficas artificiais, preenchendo fichas, elaborando croquis e assinando relatórios como “arqueólogos responsáveis”, vivenciando de forma lúdica e científica a prática investigativa. Em Geografia, a aprendizagem prosseguiu com a coleta de amostras de solo em campo, utilizando instrumentos de medição, seguida da análise sedimentológica em laboratório escolar, que envolveu o peneiramento de partículas e a comparação de granulometria, possibilitando compreender a dinâmica dos solos e sua relação com o ambiente. Posteriormente, cada grupo produziu um parecer técnico, exercitando o uso da linguagem científica e sistematizando suas conclusões. Em Ciências da Natureza, os estudantes participaram de práticas de osteoarqueologia, analisando ossos-modelo enterrados no sítio didático, registrando informações em fichas técnicas e refletindo sobre aspectos biológicos, culturais e éticos relacionados ao estudo de vestígios humanos. Esse percurso pedagógico, sustentado por metodologias ativas, situações-problema e aprendizagem baseada em projetos, evidenciou a ciência como prática de investigação e construção coletiva de conhecimento. Os resultados alcançados foram expressivos: cognitivamente, os alunos ampliaram sua capacidade de análise crítica e estabeleceram conexões entre ciência, sociedade e meio ambiente; no âmbito socioemocional, fortaleceram a cooperação, a autonomia e o protagonismo; os alunos, reconheceram-se como sujeitos históricos ligados a um território marcado por patrimônio cultural e ambiental. Entre os desafios estiveram a tradução de conceitos técnicos para a linguagem escolar e a articulação de tempos e espaços pedagógicos, superados pela cooperação docente e pela criatividade metodológica. O impacto do projeto ultrapassou os limites da sala de aula, envolvendo a comunidade, consolidando parcerias institucionais e resultando na criação de um site para divulgação e memória coletiva da experiência. Conclui-se que a iniciativa contribui para a formação de cidadãos críticos e conscientes, para a difusão da cultura científica e para a valorização do patrimônio cultural e ambiental, reafirmando a escola como espaço de produção de conhecimento, inovação pedagógica e responsabilidade social.

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Publicado

2025-11-22

Edição

Seção

ITAJAÍ